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DISCORSO
DEL PAPA AI VESCOVI DEL BRASILE |
Radio
Vaticana 28 ottobre 2010
Il
Papa ai vescovi del Brasile: promuovere il bene comune
senza temere l'impopolarità nella difesa della vita umana
Un
sistema sociale e politico che non tuteli la vita e la
dignità umana è basato su un diritto “falso e
illusorio”, dunque i cristiani hanno il diritto di usare
il loro voto elettorale in difesa del bene comune. Lo ha
affermato Benedetto XVI nel discorso rivolto questa
mattina al gruppo di presuli brasiliani della Regione
Nord-Est 5, ricevuti in udienza per la visita ad Limina.
Il Papa ha invocato anche la libertà di insegnamento
della religione cattolica nelle scuole dello Stato e la
difesa dei simboli religiosi nella vita pubblica. Il
servizio di Alessandro De Carolis:
E’ il Cristo Redentore a braccia spalancate che
domina la Baia di Guanabara di Rio de Janeiro il simbolo
dell’anima più vera del Brasile. Lo ha affermato
Benedetto XVI, per il quale se la fede dei brasiliani è
“un segno di speranza” per il presente e il futuro del
Paese, vi sono tuttavia delle “ombre” proiettate da
forze che diffondono valori moralmente inaccettabili,
lesivi della natura sacra dell’essere umano. E quando
tali diritti sono violati, oppure lo richiede “la
salvezza delle anime”, i pastori – ha detto il
Pontefice – “hanno il serio dovere di pronunciare un
giudizio morale” sulle questioni politiche. Anche perché,
ha affermato ...
“Seria totalmente falsa e ilusória…
Sarebbe del tutto illusorio e falso qualsiasi
diritto umano, politico, economico e sociale che non
comprendesse l’energica difesa del diritto alla vita dal
concepimento alla morte naturale. Sempre nell’ambito
degli sforzi in favore dei più deboli e indifesi, chi è
più indifeso di un bambino non ancora nato o un malato in
stato vegetativo o terminale?”.
Ecco perché, ha insisto con calore il Papa, Dio deve
“trovare un posto nella sfera pubblica, in particolare
in ambito culturale, sociale, economico e soprattutto
politico”. Spazio, dunque, a laici formati alla fede e
testimoni nella società del loro impegno cristiano,
vissuto “in modo unitario e coerente”. E quando si
rendesse necessario, ha soggiunto con decisione il Papa
...
“Os pastores devem mesmo lembrar…
I pastori dovrebbero ricordare a tutti i cittadini
il diritto, che è anche un dovere, di usare liberamente
il loro voto per promuovere il bene comune”.
Benedetto XVI ha poi levato un appello in favore
dell'istruzione religiosa, e più specificamente, ha
indicato, per “l'insegnamento pluralistico e
confessionale della religione nelle scuole pubbliche dello
Stato”, ribadendo che “solo il rispetto, la promozione
e l’insegnamento senza sosta” della “natura
trascendente della persona umana rende possibile la
costruzione di una società”, a differenza di altre
tendenze:
“Quando os projetos politicos…
Quando i progetti politici includono, apertamente o
in velatamente, la depenalizzazione dell'aborto o
dell'eutanasia, l'ideale democratico - che è davvero tale
quando riconosce e tutela la dignità di ogni persona
umana - è tradito alla sua base. Perciò, cari fratelli
vescovi, per difendere la vita ‘non dobbiamo temere
l'ostilità e l'impopolarità, rifiutando ogni compromesso
ed ambiguità, che ci conformerebbero alla mentalità di
questo mondo’”.
Benedetto XVI ha poi difeso la
presenza di simboli religiosi nella vita pubblica che, ha
asserito, sono allo stesso tempo “ricordo della
trascendenza dell’uomo e garanzia del suo rispetto”.
Tali segni, ha detto il Papa, assumono “un particolare
valore” in Brasile, “dove la religione cattolica è
parte integrante della sua storia”.
DISCORSO
AI VESCOVI DEL BRASILE
Amados
Irmãos no Episcopado,
«Para vós,
graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor
Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada
agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e
à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os
vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter
religioso e pastoral, além de humano e social, com que
deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas
sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom
Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me
dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e
do vosso povo.
Como
sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho
sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do
multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na
vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como
a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a
sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua
dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com
todos os homens, das quais decorrem as exigências da
justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
Entretanto,
o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa
é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres
e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta
configuração da vida social, no respeito da sua legítima
autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas
est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso
clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a
purificação da razão e o despertar das forças morais
necessárias para a construção de uma sociedade justa e
fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da
pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm
o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias
políticas (cf. GS, 76).
Ao
formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o
valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que
declaram moralmente inaceitável a escolha de uma
determinada ação intrinsecamente má e incompatível com
a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada
pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência
ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória
qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos
e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do
direito à vida desde a concepção até à morte natural
(cf. Christifideles laici, 38). Além disso no
quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos,
quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em
estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos
contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização
do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só
é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a
dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas
suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto,
caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não
devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando
qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com
a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).
Além
disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu
empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e
coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida
— uma catequese social e uma adequada formação na
doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o
"Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso
inaugural da V Conferência Geral do Episcopado
Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também
que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo
lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um
dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção
do bem comum (cf. GS, 75).
Neste
ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a
sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que
abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio
da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela
religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades,
como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou
então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em
consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem
Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades
civis, 17-IX-2010).
Só
respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a
natureza transcendente da pessoa humana é que uma
sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar
lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões
cultural, social, econômica e particularmente política»
(Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a
minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação
religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e
plural da religião, na escola pública do Estado.
Queria
ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na
vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência
do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor
particular, no caso do Brasil, em que a religião católica
é parte integral da sua história. Como não pensar neste
momento na imagem de Jesus Cristo com os braços
estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a
hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir
seus braços a homens e mulheres perseguidos e
necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa
presença de Jesus na vida brasileira, que eles se
integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao
enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao
espírito de solidariedade e liberdade.
Amados
Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no
Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes
anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de
todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da
vida humana e da sua transcendência, junto com as
alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos
homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão.
A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao
vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.
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