|
DISCORSO
AL NEO AMBASCIATORE DI TIMOR EST (20 MAGGIO 2007) |
Fonte,
Radio Vaticana, 20 maggio 2007
Benedetto
XVI al neoambasciatore di Timor Est: rafforzare la
democrazia sui valori cristiani e sul principio della
solidarietà sociale. Ribadito l’invito al Papa a
visitare l’ex colonia portoghese
La
“cultura della solidarietà” opposta allo scontro
politico ad oltranza per aprire il Paese a un reale
orizzonte di democrazia. E’ l’auspicio di Benedetto
XVI per Timor Est, il piccolo Stato resosi formalmente
indipendente nel 2002, e che l’11 maggio scorso ha visto
il Premio Nobel, Ramos Horta, eletto come nuovo
presidente. Il Papa si è soffermato sulla situazione di
Timor Est nel riceverne il nuovo ambasciatore presso la
Santa Sede, Justino Maria Aparício Guterres, che ha
presentato le Lettere credenziali rinnovando a Benedetto
XVI l’invito a visitare la piccola nazione asiatica,
quasi interamente cattolica. Il servizio di Alessandro
De Carolis:
“Che la memoria di quei giorni tragici” renda
governo e opposizione di Timor Est particolarmente
solleciti a “intraprendere la strada del dialogo e della
collaborazione, evitando la tentazione di abbandonarsi”
allo scontro politico con l’avversario, “non solo
perché è moralmente inaccettabile, ma anche perché
questo atteggiamento si rivela sempre nocivo per il
consolidamento di una corretta dialettica democratica e
per lo sviluppo integrale di tutti i cittadini del
Paese”. E’ uno dei passaggi del discorso rivolto
stamattina da Benedetto XVI al neoambasciatore timorese
che meglio rivela la partecipazione del Papa alla storia
recente dell’ex colonia portoghese, tuttora segnata
dalla sanguinosa transizione che la portò ad affrancarsi
dall’Indonesia e dunque ancora alle prime battute del
suo nuovo corso democratico. Nei giorni che hanno da poco
visto consumarsi il massimo avvicendamento istituzionale,
tra il presidente uscente, Francisco Guterres, e il nuovo,
Josè Ramos-Horta, resta per i governanti di Timor Est la
non facile gestione della cosa pubblica, definita dal Papa
“ardua e non priva di ostacoli”. Le “numerose
esigenze” di ordine abitativo, sanitario, educativo e
lavorativo, ha riconosciuto il Pontefice, si scontrano con
gli interessi di chi non è disposto a sacrificare al bene
comune gli interessi di partito. E dunque, ha indicato il
Papa, sono i 400 anni di fede nel Vangelo a dover aiutare
la popolazione timorese - cattolica al 98% - a farsi
promotrice di una “cultura della solidarietà e di una
convivenza pacifica nella giustizia”.
“Mi sia permesso - ha affermato Benedetto XVI -
rivolgere un veemente appello alle persone investite
dell’autorità pubblica perché facciano di tutto per
restaurare un ordine pubblico efficiente con mezzi legali
e restituire ai cittadini la sicurezza nella vita
quotidiana, grazie a una ritrovata fiducia nelle legittime
istituzioni dello Stato”. E l’appello del Pontefice si
è sciolto poco dopo nel ringraziamento alle Nazioni Unite
per la “solidarietà” dimostrata verso la popolazione
timorese. Un invito inistito, dunque, quello del Papa,
alla normalizzazione dopo le ripetute tensioni che hanno
condizionato la vita di Timor Est, ma anche un tributo
all’azione “assistenziale e caritativa”, oltre che
pastorale, svolta dalla Chiesa del posto. Nel suo
indirizzo di saluto, il diplomatico timorese accreditato
presso la Santa Sede ha ribadito, tra l'altro, a Benedetto
XVI l’invito a visitare Timor Est lanciato venti giorni
fa dal presidente uscente, Guterres. Sarebbe, ha detto,
“una gioia incommensurabile per il nostro popolo”.
DISCORSO DEL
SANTO PADRE
Senhor
Embaixador!
A sua
presença hoje aqui representa o coroamento dos vínculos
entre o povo timorense e esta Sé Apostólica que vêm de
longe mas registaram um salto qualitativo ao assumir a
forma de relações diplomáticas a 20 de Maio de 2002, ou
seja, no próprio dia em que despontou no horizonte
internacional a sua jovem Nação. É, pois, com muito
prazer que recebo as cartas credenciais que designam Vossa
Excelência como o primeiro Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário da República Democrática de
Timor-Leste junto da Santa Sé.
Ao
dar-lhe as boas-vindas a este Acto de apresentação, começo
por agradecer a nobre expressão dos sentimentos que o
animam, desejando assegurar-lhe, desde já, a minha estima
no desempenho da elevada missão que lhe foi confiada,
assim como testemunhar, na sua pessoa, o profundo afecto
que sinto por todos os amados filhos e filhas do seu País.
O meu pensamento dirige-se, em primeiro lugar, para Sua
Excelência o Senhor Presidente Kay Rala Xanana Gusmão,
pedindo-lhe, Senhor Embaixador, que o certifique do meu
reconhecimento pela deferente saudação de que Vossa
Excelência se fez intérprete e que retribuo desejando as
melhores felicidades para a sua pessoa, bem como para
todos os que colaboram com ele no serviço da Nação.
Para o seu sucessor, o Presidente eleito José Ramos Horta,
vão as minhas felicitações com votos de feliz êxito no
exercício das suas altas funções.
A enorme
afluência às urnas para a eleição do novo Presidente
da Republica demonstrou a grande maturidade cívica do
povo timorense mas também a esperança que o mesmo
deposita no «processo de construção de um Estado de
direito democrático», para usar as palavras do Senhor
Embaixador, que lembrava ainda as eleições de Junho próximo
para a Assembleia da República. Aos novos representantes
e servidores deste povo, que já sofreu demais, peço que
não desiludam tal esperança mas se empenhem numa
progressiva democratização da sociedade, procurando
aumentar a participação de todos os grupos numa ordem da
vida pública que seja representativa e juridicamente
tutelada. Como é sabido, o mundo assistiu, incrédulo e
preocupado, à grave crise gerada pelo desespero de uns e
pela impaciência de outros que transtornou o último biénio
da vida nacional de Timor-Leste, fazendo reaparecer na
alma colectiva os fantasmas do passado sob as formas de
medo, suspeita e divisão. Que a recordação daqueles
dias trágicos torne o governo e a oposição
particularmente solícitos em empreender a via do diálogo
e da colaboração, evitando a tentação de se
abandonarem ao confronto com o adversário político, não
só porque é moralmente inaceitável mas também porque
esta atitude se revela sempre prejudicial para a consolidação
de uma correcta dialéctica democrática e para o
desenvolvimento integral de todos os cidadãos do País.
Todos
sabem como a tarefa que hoje se apresenta aos responsáveis
da vida política, social e económica de Timor-Leste é
árdua e não está isenta de obstáculos. Não faltam
incompreensões internas e externas; não se dispõe de
todos os recursos necessários para responder às
numerosas necessidades de habitação, saúde, educação,
emprego; nem todos estão dispostos a prescindir de
interesses pessoais ou partidários. Para não encalharem
de novo em tais obstáculos, faço apelo à fé cristã
que, há quatrocentos anos, se radicou no vosso solo pátrio
e hoje é senha e glória de noventa e oito por cento da
população timorense, bem ciente de ter encontrado na
Igreja, com os seus Pastores na vanguarda, uma instância
inspiradora e promotora de uma cultura de solidariedade e
convivência pacífica na justiça, impelindo as vontades
a colaborarem a favor do progresso e do bem comum, sem
esquecer a atenção que merecem os mais pobres e
desamparados.
Tomando a
palavra durante o conflito, os Bispos timorenses não se
cansaram de indicar aos seus concidadãos a estrada-mestra
para um futuro de paz e de prosperidade na rejeição da
violência e do ressentimento e na oferta do perdão e da
reconciliação com os demais. Por isso, no passado dia 8
de Abril – como Vossa Excelência amavelmente anotava
– quis juntar a minha voz à deles para suplicar,
primeiro a Cristo Ressuscitado mas depois também aos
homens e mulheres de boa vontade, a força da reconciliação
e o dom da paz entre a população de Timor-Leste. Seja-me
permitido hoje dirigir um veemente apelo às pessoas
investidas de autoridade pública para que façam tudo o
que lhes for possível para restaurar uma ordem pública
eficiente com meios legais e restituir aos cidadãos a
segurança na vida quotidiana, graças também à
reencontrada confiança nas instituições legítimas do
Estado.
Este, em
razão das suas prerrogativas e funções, é o primeiro
garante das liberdades e dos direitos da pessoa humana,
que lhe devem ser reconhecidos em virtude da sua própria
dignidade: enquanto ser espiritual, o homem é o valor
fundamental e vale mais do que todas as estruturas sociais
em que participa. Ora, será esta atenção aos direitos
do homem por parte das autoridades timorenses que há-de
dar a todos os cidadãos confiança nas instituições
nacionais, encarregadas de assegurar a sua protecção.
Estas considerações, Senhor Embaixador, são uma expressão
do meu afecto e solicitude de Pastor pelo amado povo do
seu País e um sinal de esperança que a Igreja depõe num
provir mais justo e prometedor para Timor-Leste.
Vossa
Excelência conhece certamente a atenção que a Santa Sé
dedica à dignidade e promoção das pessoas e dos povos,
assim como o seu desejo de que cada um possa ocupar o seu
lugar e oferecer a própria colaboração na vida nacional
e internacional. O desenvolvimento dos povos depende em
grande parte duma autêntica integração numa ordem
mundial solidária. À Igreja cabe não tanto propor
programas operativos concretos, que são alheios à sua
competência, como sobretudo iluminar melhor a consciência
moral dos responsáveis políticos, económicos e
financeiros. Para isso, ela põe em evidência o princípio
da solidariedade como fundamento de uma verdadeira
economia de comunhão e participação de bens, na ordem
tanto internacional como nacional. Esta solidariedade
exige que se compartilhem, de modo equitativo, os esforços
por resolver os problemas do subdesenvolvimento e os
sacrifícios necessários para superar as crises económicas
e políticas, tendo em conta as necessidades das populações
mais indefesas.
Mas esta
solidariedade manifesta-se também como uma comunhão de
serviços e permuta de conhecimentos. Com efeito, mediante
uma assistência técnica e uma formação apropriada, é
preciso encorajar os países que saem de períodos difíceis
a favorecerem instituições democráticas estáveis, a
valorizarem as suas próprias riquezas para o bem de todos
os habitantes e a assegurarem às populações uma digna
educação moral, cívica e intelectual. Quero neste
momento congratular-me com a Organização das Nações
Unidas e demais entes governamentais e não governamentais
pela solidariedade demonstrada para com o povo de
Timor-Leste pedindo-lhes que não o abandonem nesta fase
de consolidação nacional. Com efeito é através da
promoção integral das pessoas que se ajudará os países
a desenvolverem-se, a serem fautores do seu progresso e
parceiros da vida internacional e a enfrentarem o futuro
com confiança.
Não se
pode esquecer que não poucos dos problemas sócio-económicos
e políticos na vida dos povos, têm as suas raízes e
grande repercussão na ordem moral. Neste campo, a Igreja,
fiel ao mandato recebido do seu divino Fundador, procura
iluminar a partir do Evangelho as realidades temporais,
movida sempre pelo seu afã de servir o bem comum e as
grandes causas do homem. A este respeito posso assegurar
que os Pastores, sacerdotes e comunidades religiosas de
Timor-Leste continuarão incansavelmente no cumprimento da
sua missão evangelizadora, assistencial e caritativa.
Eles são os continuadores duma plêiade de homens e
mulheres que, chamados a uma vocação de serviço
desinteressado, dedicaram as suas vidas a mitigar a dor, a
instruir e a educar, dando testemunho de abnegada entrega
em favor dos mais necessitados. Assim aprouve salientá-lo
Vossa Excelência, prestando homenagem a estes servos do
Evangelho que, até aos lugares mais remotos do País,
levam ajuda e conforto, infundindo amor e esperança.
Senhor
Embaixador!
Ao
apresentar-lhe os votos mais cordiais para a nobre missão
que lhe foi confiada pelo seu País, desejo assegurar-lhe
a plena e leal colaboração de quantos coadjuvam o Papa
na realização do ministério apostólico que lhe é próprio.
Neles poderá encontrar uma valiosa contraparte pelo que
diz respeito às questões bilaterais e, mais em geral,
uma constante colaboração em ordem à prossecução do
bem comum na comunidade internacional. Enquanto confio os
governantes e os cidadãos de Timor-Leste à protecção
da Virgem Maria, celeste padroeira da Nação, elevo a
minha oração pedindo-Lhe que assista Vossa Excelência,
as Autoridade civis e quantos estão ao serviço do povo
timorense, sempre perto do coração do Papa, e a todos
envio a minha Bênção.
©
Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana
|
|