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VISITA
AD LIMINA DEI VESCOVI DEL MOZAMBICO (26 MAGGIO 2007) |
Ascolta
il servizio trasmesso da Radio Vaticana
Fonte,
Radio Vaticana, 26 maggio 2007
Le
sfide della Chiesa per annunciare Cristo in contesti di
povertà estrema e di corruzione dilagante: ne ha parlato
il Papa con i vescovi del Mozambico
L’annuncio
missionario deve restare la priorità tra le priorità per
la Chiesa in Mozambico, che pure si confronta con mille
difficoltà socio-pastorali: lo ha raccomandato stamanI
Benedetto XVI ai vescovi del Paese africano,
nell’indirizzo di saluto al termine della loro visita ad
Limina. Il servizio di Roberta Gisotti:
Sono tanti e complessi gli ostacoli che si frappongono
all’evangelizzazione di oltre la metà della popolazione
del Mozambico, ha osservato Benedetto XVI, dopo avere
ascoltato il presidente della Conferenza episcopale
mozambicana, l’arcivescovo Tomè Makhweliha, illustrare
con preoccupazione i mali di questo Paese, tra i più
ricchi dell’Africa per risorse naturali e con grandi
potenzialità economiche, eppure in stato di povertà
assoluta. Un Paese preda della corruzione generalizzata e
della criminalità, dello sfruttamento della manodopera e
delle donne, del traffico della droga e degli esseri
umani, del commercio sessuale. Ha puntato il dito, il
presidente dei vescovi del Mozambico, sull’attuale
ordine economico internazionale, governato dalle
multinazionali e dalla globalizzazione.
In questa critica situazione, il Papa ha invitato i
presuli mozambicani ad essere quanto più presenti in
tutte le comunità delle loro diocesi, prestando paterna
attenzione alle condizioni di vita umane e religiose, e di
essere accanto ai sacerdoti per ascoltarli, guidarli e
incoraggiarli nel loro spesso arduo servizio pastorale, e
di valorizzare i movimenti ecclesiali e le nuove comunità
“provvidenziali per un rinnovato impulso missionario”.
Benedetto XVI ha raccomandato di approfondire la fede
attraverso tutti i mezzi a loro disposizione: la catechesi
dei giovani e degli adulti, gli incontri e la liturgia con
l’inculturazione che s’impone. “Senza questa
formazione profonda - ha osservato - la fede e la pratica
religiosa divengono superficiali e fragili”, inadeguate
a contrastare “l’indifferenza religiosa, il
materialismo e il neopaganesimo, fenomeni che dominano
oggi nelle società dei consumi”.
Essenziale anche la formazione nei seminari a
fronte della crisi vocazionale e la formazione permanente
di tutti gli operatori apostolici, sacerdoti, religiosi e
religiose, catechisti e animatori di movimenti e comunità.
Ogni cristiano - ha sollecitato Benedetto XVI - offra il
suo contributo “per combattere le ingiustizie, elevare
il livello della vita delle persone e dei gruppi
sfavoriti, per educare alla rettitudine dei costumi, alla
tolleranza al perdono e alla riconciliazione. Si tratta di
un’opera di primaria importanza che serve al bene del
Paese”, che i pastori della Chiesa debbono ispirare e
sostenere conservando la libertà che è propria della
Chiesa nella sua missione profetica, mantenendo ben chiara
la distinzione tra questa missione pastorale e i programmi
e i poteri politici.
Infine l’importanza di sostenere la famiglia e il
matrimonio cristiano “messo a dura prova - ha
sottolineato il Papa - da una società detta moderna,
pervasa dalla sessualità e dall’individualismo”.
DISCORSO DEL
SANTO PADRE
Senhor
Cardeal,
Amados Irmãos no Episcopado!
Viestes a
Roma, acompanhados em espírito pelo vosso povo cristão,
para, no sulco duma antiga tradição, venerar os túmulos
dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Hoje, com a vossa
presença aqui, quereis testemunhar de modo colegial a
unidade de fé e a conformidade de propósitos que vigoram
entre as vossas Igrejas particulares e a Igreja que está
em Roma e «preside à caridade» (Santo Inácio de
Antioquia, Epistula ad Romanos), bem como a unidade
entre vós e o Sucessor de Pedro compartilhando a sua
solicitude por todas as Igrejas (cf. 2 Cor 11, 28).
Sei que sempre realizais o vosso ministério em união com
o Papa, como muitas vezes mo fizestes saber e agora mesmo
acabais de mo repetir através das amáveis palavras de D.
Tomé Makhweliha, Arcebispo de Nampula e Presidente da
Conferência Episcopal, que se fez intérprete dos
sentimentos e preocupações que tendes nesta hora da
vossa visita ad Limina. É, pois, com grande
alegria e estima que vos abraço e acolho nesta Casa,
aproveitando para enviar, convosco e através de vós, uma
cordial saudação a todo o povo de Deus que está em Moçambique:
os sacerdotes, os religiosos e religiosas, os seminaristas,
catequistas e animadores, as famílias cristãs e todos os
fiéis leigos, pois todos são chamados, na diversidade
dos próprios carismas, a testemunhar Jesus Cristo Senhor.
Pastores
bem-amados, àqueles de entre vós que receberam há muito
tempo a plenitude do sacerdócio faço votos de que possam
prosseguir, incansáveis, no cuidado pastoral de quantos
lhes estão confiados; aos que mais recentemente foram
consagrados Bispos, exprimo o meu vivo afecto e a esperança
diante de Deus de que as suas jovens energias acrescentem
um novo impulso à obra da evangelização e formação
cristã em curso. Entretanto a cada um de vós asseguro as
minhas preces para que o Espírito do Senhor, mediante o
vosso exemplo e ministério, realize novo Pentecostes e «renove
a face da terra» na vossa querida Nação.
Sim, peço
ao Espírito Santo que acompanhe com a abundância da sua
luz e da sua força o exercício do vosso múnus pastoral.
Como vos foi dito no dia da ordenação episcopal, sois
responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus em toda a
região que vos está confiada; responsáveis pela celebração
da liturgia, a formação na oração e a preparação
para os sacramentos de modo que estes sejam dignamente
administrados ao povo cristão; e responsáveis também
pela unidade orgânica da diocese, das suas instituições
de assistência, formação e apostolado. Para isso fostes
revestidos com a autoridade do Pastor; esta, porém, toma
a forma do Servo que oferece a própria vida, o próprio
tempo, as próprias forças e o próprio coração pelas
suas ovelhas, e é reforçada pelo exemplo que lhes dais
para as levar à santidade de vida, tornando-vos «modelo
do vosso rebanho» (1 Ped 5, 3).
Obviamente
este serviço pastoral passa pela vossa presença, o mais
frequente possível, em todas as comunidades dispersas
pela diocese e uma paterna atenção às suas condições
de vida, humanas e religiosas. De modo especial, têm
necessidade os vossos sacerdotes de serem visitados ou
recebidos, escutados, orientados, encorajados. Vós,
juntamente com eles, tendes uma tarefa enorme a realizar,
naturalmente em comunhão com o Espírito Santo que actua
nos corações: a primeira evangelização de mais de
metade da população de Moçambique. Sabemos que os obstáculos
são numerosos e complexos, que o acolhimento e a germinação
dependem não de nós mas da liberdade das pessoas e da
graça. Mas, ao menos, procurai que o anúncio missionário
se mantenha a prioridade das vossas prioridades e fazei
saber a quantos têm a graça de ser cristãos que devem
concorrer para a sua realização. Meio providencial para
um renovado impulso missionário são os Movimentos
eclesiais e novas Comunidades: acolhei-os e promovei-os
nas vossas dioceses, pois o Espírito Santo serve-Se deles
para despertar e aprofundar a fé nos corações e
proclamar a alegria de crer em Jesus Cristo.
Na
verdade, é importante aprofundar a fé através de todos
os meios que tendes à vossa disposição: catequese dos
jovens e dos adultos, reuniões, liturgia, com a inculturação
que se impõe. Sem esta formação profunda, a fé e a prática
religiosa manter-se-iam superficiais e frágeis, não se
poderiam impregnar de espírito cristão os costumes
ancestrais, os ânimos seriam abalados por toda a espécie
de doutrina, as seitas atrairiam os fiéis desviando-os da
Igreja, o diálogo respeitoso com as outras religiões
empantanar-se-ia com as insídias e os riscos. E,
sobretudo, os baptizados não poderiam resistir à
indiferença religiosa, ao materialismo e ao neo-paganismo,
fenómenos que campeiam hoje nas sociedades de consumo.
Ao contrário,
uma fé profunda e empenhada não deixará de renovar o
comportamento das pessoas na sua vida sócio-profissional
e consequentemente o tecido da sociedade. Os cristãos dão
assim o seu contributo para combater as injustiças,
elevar o nível de vida das pessoas e grupos
desfavorecidos, para educar à rectidão de costumes, à
tolerância, ao perdão e à reconciliação. Trata-se
duma obra ética de primária grandeza, que serve o bem da
Pátria; como Pastores, compete-vos inspirá-la e sustentá-la,
conservando sempre a vossa liberdade que é a da Igreja na
sua missão profética, mantendo bem nítida a distinção
entre esta missão pastoral e a que têm em vista os
programas e os poderes políticos.
Toda a
obra de que vos falei depende do número e qualidade dos
obreiros apostólicos que colaboram convosco: sacerdotes,
religiosos e religiosas, catequistas e animadores de
movimentos e comunidades. No que se refere aos sacerdotes,
apraz-me assinalar o seu I Encontro de Formação
Permanente em Julho de 2001, iniciativa que vos deu ocasião
para os estimular a uma revisão de vida a propósito da
sua acção apostólica e renovamento espiritual.
Encorajo-vos a favorecer esta formação permanente em
ordem a uma actualização teológica e pastoral do clero,
como também uma vida espiritual regular. Trata-se do seu
dinamismo apostólico ao serviço da evangelização, da
sua capacidade de enfrentar os problemas, e da santidade
do seu ministério.
Igualmente
importante e decisivo é preparar bem os futuros
sacerdotes. Sei que tendes a peito o melhoramento da formação
teológica e espiritual nos Seminários; é assunto
frequente dos trabalhos da vossa Conferência Episcopal e
da Conferência dos Superiores dos Religiosos e das
Religiosas, prontos a dar-vos a sua colaboração. Dada a
importância do que está em jogo, exorto-vos a dedicar a
esta formação os vossos melhores sacerdotes, a vigiar
por que os directores espirituais dos Seminários sejam
devidamente preparados. A grave carência de sacerdotes
mostra quão necessário é investir na pastoral das vocações
sacerdotais e religiosas, dando-lhe um novo impulso e
coordenação a nível diocesano e nacional. Isto passa
por uma reflexão de todos os membros da Igreja sobre o
lugar do sacerdócio, nomeadamente nas chamadas «Pequenas
Comunidades Cristãs».
Uma idêntica
tomada de consciência mereceria ser aprofundada e
alargada a propósito da vida consagrada. Como é possível
que os candidatos à mesma e o povo cristão admirem os
institutos de vida consagrada mais pela ajuda que estes dão
ao apostolado e à promoção humana, do que pelo valor
intrínseco e a beleza incomparável de uma consagração
total a Deus, no seguimento de Cristo a Quem a pessoa
consagrada se une como a seu Esposo divino? E contudo esta
última perspectiva é tão proveitosa para toda a Igreja
que nela encontraria um apelo muito especial à santidade
pela vivência das Bem-aventuranças. Também aqui não se
pode descuidar uma formação de base exigente para os
aspirantes à vida consagrada, segundo a espiritualidade
específica de cada família religiosa. Não tenho dúvidas
de que os organismos de coordenação dos religiosos e das
religiosas hão-de colaborar, convosco, para fazer face a
tal exigência.
Em Moçambique,
como em muitos países africanos, os catequistas
desempenham um papel determinante tanto na formação dos
catecúmenos como na animação de muitas comunidades
desprovidas de sacerdote permanente. Grande e meritória
é a sua dedicação generosa e desinteressada, mas têm
necessidade duma formação cuidada e dum apoio particular
para enfrentarem a sua responsabilidade de testemunhas da
fé face à evolução cultural dos seus irmãos e irmãs
e poderem guiá-los com o exemplo duma vida santa.
O futuro
dependerá em grande parte do modo como os jovens – que
no vosso País constituem a maioria da população –
puderem adquirir convicções de fé, vivê-las num meio
que já não lhes oferece as orientações éticas e o
apoio das instituições como outrora, e integrar-se com
confiança nas comunidades eclesiais. É um campo imenso a
que se vem juntar o mundo das crianças, dos adolescentes
e sobretudo dos estudantes expostos a toda a espécie de
correntes e questões em ebulição. Encorajo-vos
particularmente nos vossos esforços que têm em vista
obter para todos os jovens cristãos a possibilidade de um
ensinamento religioso sólido para uma acção cristã à
medida deles.
A
evangelização da vida cristã e o desabrochar das vocações
dependem da constituição de famílias autenticamente
cristãs que aceitem o modelo, as exigências e a graça
do matrimónio cristão. Sei que não faltam dificuldades,
devido aos limites de certos costumes antigos e devido
também à instabilidade dos lares, postos a dura prova
por uma sociedade dita moderna eivada de sensualismo e
individualismo. A crise não se atenuará senão mediante
uma pastoral familiar dinâmica e bem fundamentada, que se
apoie em associações familiares coordenadas a nível
diocesano e nacional.
Amados
Irmãos no Episcopado, há outros campos onde se requer a
vossa solicitude pastoral: a assistência aos pobres,
doentes e marginalizados, a atitude a adoptar face à
invasão das seitas, o desenvolvimento dos meios de
comunicação social, etc. Mas, os pontos assinalados
representam já um peso que impõe árduos esforços, se
considerarmos as limitadas forças apostólicas de que
dispondes, mesmo fazendo apelo aos sacerdotes e aos
religiosos de outros países que – espero – se mostrem
generosos. Estou certo de que todos estes desafios podem
ser superados, graças à fé e à determinação que vos
animam, graças ao Espírito Santo que nunca recusa a sua
ajuda a quantos Lha suplicam e procuram a vontade de Deus.
Esta é,
antes de mais nada, a união afectiva e efectiva no seio
da vossa Conferência Episcopal. Na Última Ceia, como bem
sabeis, o Senhor Jesus orou pela unidade dos Apóstolos a
fim de que imitassem a sua unidade com o Pai (cf. Jo
17, 21). No vínculo firme que vos une ao Sucessor de
Pedro, conservai e aumentai a unidade e a actividade
colegial entre vós. Recolhei as vossas experiências,
interpretai de maneira concorde os sinais dos tempos
relativos às necessidades próprias do vosso povo, sempre
movidos por um espírito de fidelidade à Igreja. Esta
unidade entre vós, Pastores, será o cerne e a raiz da
perfeita comunhão eclesial, que a todos abrange em
Cristo: Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e fiéis
leigos. Sobre todos vele, com amor materno, a Virgem Maria,
a quem vos confio ao conceder a minha Bênção Apostólica
a vós, aos vossos colaboradores e a toda a Igreja em Moçambique,
que Deus constituiu fermento e luz no seio da vossa
dilecta Nação.
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