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DISCORSO
AI VESCOVI BRASILIANI |
Radio
Vaticana, 28 novembre 2009
Il
Papa ai vescovi brasiliani: di fronte alle divisioni
portate dalla teologia della liberazione, riscoprire il
valore fondamentale dell’unità della Chiesa
◊ I
rischi insiti nella teologia della liberazione e
l'importanza dell’educazione cattolica per la formazione
della persona umana sono stati i temi forti del discorso
di Benedetto XVI ai vescovi del Brasile, regione Sud 3 e
4, ricevuti stamani in Vaticano in occasione della visita ad
Limina. Il Papa ha messo l’accento sulla sana laicità
e sul contributo delle istituzioni culturali cattoliche
per lo sviluppo della società brasiliana. Il servizio di Alessandro
Gisotti:
Benedetto XVI ha ricordato la recente ricorrenza del
25.mo anniversario dell’Istruzione Libertatis
nuntius della Congregazione per la Dottrina della fede
su alcuni aspetti della teologia della liberazione. Un
documento, ha rammentato ai vescovi brasiliani, che
sottolineava “il rischio che comportava l’assunzione
acritica, fatta da alcuni teologi di tesi e metodologie
provenienti dal marxismo”. Ed ha ricordato che la
ribellione, la divisione, il dissenso, l’anarchia che
provocò quel movimento ha creato nelle comunità
diocesane del Brasile “grande sofferenza e una grave
perdita di forze vive”:
“Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos…”
Dal Papa l’invito, dunque, a quanti si sono sentiti
“attratti, coinvolti e toccati nel proprio intimo da
certi principi ingannevoli della teologia della
liberazione che si confrontino nuovamente” con quella
Istruzione. Ed ha sottolineato, riprendendo la Fides
et Ratio, che la “regola suprema” della fede della
Chiesa “le proviene dall'unità che lo Spirito ha posto
tra la Sacra Tradizione, la Sacra Scrittura e il Magistero
della Chiesa in una reciprocità tale per cui i tre non
possono sussistere in maniera indipendente”. Il Papa ha
quindi dedicato gran parte del suo discorso alla cultura
cattolica, riferendosi in particolare all’università e
alla scuola, volgendo l’attenzione alle comunità
accademiche nate all’ombra dell’umanesimo cristiano:
“Possa ela, numa convicta sinergia com as famílias…”
La scuola cattolica, è stato il suo auspicio, possa
“in una convinta sinergia con le famiglie e con la
comunità ecclesiale promuovere quella unità tra fede,
cultura e vita che costituisce la finalità fondamentale
dell’educazione cristiana”. Pure le scuole statali,
“secondo forme e modalità diverse”, è stata la
riflessione del Pontefice, possono essere aiutate nel loro
compito educativo “dalla presenza di professori credenti
- in primo luogo, ma non esclusivamente i docenti di
religione cattolica - e da alunni formati
cristianamente”, così come attraverso la collaborazione
della famiglia e delle comunità cristiane. Ed ha ribadito
che “una sana laicità della scuola non implica una
negazione della trascendenza, né una mera neutralità di
fronte a quei requisiti e valori morali” che sono alla
base di una autentica formazione della persona, inclusa
l’educazione religiosa.
“A escola católica não pode ser pensada
nem vive separada…”
La scuola cattolica, ha proseguito il Pontefice, non può
vivere separata dalle altre istituzioni educative. E’
infatti “a servizio della società”, svolgendo un
servizio di pubblica utilità “non riservato soltanto ai
cattolici”, ma aperto a tutti coloro che desiderano
usufruire di una proposta educativa qualificata. Il
problema della sua parità giuridica ed economica con la
scuola statale, ha detto ancora, potrà essere impostato
correttamente “se partiamo dal riconoscimento” del
ruolo primario della famiglia, come indicato anche
dall’articolo 26 della Dichiarazione universale dei
Diritti dell’Uomo, per il quale “i genitori hanno
diritto di priorità nella scelta di istruzione da
impartire ai loro figli”.
“O empenho plurissecular da escola católica
situa-se nesta direção…”
L’impegno plurisecolare della scuola cattolica, ha
affermato Benedetto XVI, si situa in questa direzione,
spinti dalla forza che fa di Cristo “il centro del
nostro processo educativo”. Ha così rivolto il pensiero
all’università. La Chiesa, ha rammentato il Papa, “è
sempre stata solidale con l’università e con la sua
vocazione di condurre l’uomo ai più alti livelli di
conoscenza della verità”. Ed ha ringraziato le diverse
Congregazioni religiose che hanno fondato e dirigono
rinomate università, ricordando al contempo che esse non
appartengono a chi le ha fondate o a chi le frequenta, ma
sono espressione della Chiesa e del suo patrimonio di
fede.
DISCORSO
DEL PAPA
Venerados
Irmãos no Episcopado,
Dou as
boas-vindas e saúdo a todos e cada um de vós, ao
receber-vos colegialmente no quadro da vossa visita ad
limina. Agradeço a Dom Murilo Krieger as expressões
de devotada estima que me dirigiu em nome de todos vós e
do povo confiado aos vossos cuidados pastorais nos
Regionais Sul 3 e 4, expondo também os seus desafios e
esperanças. Ouvindo estas coisas, sinto elevarem-se do
meu coração ações de graças ao Senhor pelo dom da fé
misericordiosamente concedido às vossas comunidades
eclesiais e por elas zelosamente conservado e arduamente
transmitido, em obediência ao mandato que Jesus nos
deixou de levar a sua Boa Nova a toda a criatura,
procurando impregnar de humanismo cristão a cultura atual.
Referindo-me
à cultura, o pensamento dirige-se para dois lugares clássicos
onde a mesma se forma e comunica – a universidade e a
escola –, fixando a atenção principalmente nas
comunidades acadêmicas que nasceram à sombra do
humanismo cristão e nele se inspiram, honrando-se do nome
«católicas». Ora «é precisamente na referência explícita
e compartilhada de todos os membros da comunidade escolar
– embora em graus diversos – à visão cristã que a
escola é "católica", já que nela os princípios
evangélicos tornam-se normas educativas, motivações
interiores e metas finais» (Congr. para a Educação Católica,
Doc. A escola católica, n. 34). Possa ela, numa
convicta sinergia com as famílias e com a comunidade
eclesial, promover aquela unidade entre fé, cultura e
vida que constitui a finalidade fundamental da educação
cristã.
Entretanto
também as escolas estatais, segundo diversas formas e
modos, podem ser ajudadas na sua tarefa educativa pela
presença de professores crentes – em primeiro lugar,
mas não exclusivamente, os professores de religião católica
– e de alunos formados cristãmente, assim como pela
colaboração das famílias e pela própria comunidade
cristã. Com efeito, uma sadia laicidade da escola não
implica a negação da transcendência, nem uma mera
neutralidade face àqueles requisitos e valores morais que
se encontram na base de uma autêntica formação da
pessoa, incluindo a educação religiosa.
A escola
católica não pode ser pensada nem vive separada das
outras instituições educativas. Está ao serviço da
sociedade: desempenha uma função pública e um serviço
de pública utilidade, não reservado apenas aos católicos,
mas aberto a todos os que queiram usufruir de uma proposta
educativa qualificada. O problema da sua paridade jurídica
e econômica com a escola estatal só poderá ser
corretamente impostado se partirmos do reconhecimento do
papel primário das famílias e subsidiário das outras
instituições educativas. Lê-se no artigo 26 da Declaração
Universal dos Direitos do Homem: «Os pais têm direito de
prioridade na escolha do gênero de educação a ser
ministrada aos próprios filhos». O empenho plurissecular
da escola católica situa-se nesta direção, impelido por
uma força ainda mais radical, ou seja, a força que faz
de Cristo o centro do processo educativo.
Este
processo, que tem início nas escolas primária e secundária,
realiza-se de modo mais alto e especializado nas
universidades. A Igreja foi sempre solidária com a
universidade e com a sua vocação de conduzir o homem aos
mais altos níveis do conhecimento da verdade e do domínio
do mundo em todos os seus aspectos. Apraz-me tributar aqui
a mais viva gratidão eclesial às diversas congregações
religiosas que entre vós fundaram e suportam renomadas
universidades, lembrando-lhes, porém, que estas não são
uma propriedade de quem as fundou ou de quem as freqüenta,
mas expressão da Igreja e do seu patrimônio de fé.
Neste
sentido, amados Irmãos, vale a pena lembrar que em agosto
passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis
nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre
alguns aspectos da teologia da libertação, nela
sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica,
feita por alguns teólogos de teses e metodologias
provenientes do marxismo. As suas seqüelas mais ou menos
visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa,
anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas
comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de
forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram
atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por
certos princípios enganadores da teologia da libertação,
que se confrontem novamente com a referida Instrução,
acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão
estendida; a todos recordo que «a regra suprema da fé
[da Igreja] provém efetivamente da unidade que o Espírito
estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada
Escritura e o Magistério da Igreja, numa reciprocidade
tal que os três não podem subsistir de maneira
independente» (João Paulo II, Enc. Fides et ratio,
55). Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o
perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima
Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à
tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras de
Santa Cruz.
Venerados
Irmãos no episcopado, na união a Cristo precede-nos e
guia-nos a Virgem Maria, tão amada e venerada nas vossas
dioceses e por todo o Brasil. Nela encontramos, pura e não
deformada, a verdadeira essência da Igreja e assim, através
dela, aprendemos a conhecer e a amar o mistério da Igreja
que vive na história, sentimo-nos profundamente uma parte
dela, tornamo-nos por nossa vez «almas eclesiais»,
aprendendo a resistir àquela «secularização interna»
que ameaça a Igreja e os seus ensinamentos.
Enquanto
peço ao Senhor que derrame a abundância da sua luz sobre
todo o mundo brasileiro da escola, confio os seus
protagonistas à proteção da Virgem Santíssima e
concedo a vós, aos vossos sacerdotes, aos religiosos e
religiosas, aos leigos empenhados, e a todos os fiéis das
vossas dioceses paterna Bênção Apostólica.
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