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DISCORSO
AI VESCOVI DEL BRASILE |
Radio
Vaticana 15 novembre 2010
I
cristiani siano testimoni di verità, amore e giustizia:
così Benedetto XVI ai vescovi del Brasile
I
cristiani siano testimoni del Vangelo e punto di
riferimento nella società: è l’auspicio di Benedetto
XVI, contenuto nel discorso di stamani nell’udienza ai
vescovi brasiliani della Regione Centro-Ovest. Si tratta
dell’ultimo gruppo di presuli del Brasile in visita ad
Limina. Nel suo discorso, il Papa si è soffermato sul
ruolo delle Conferenze episcopali ed ha sottolineato
l’importanza della comunione tra i vescovi e il
Pontefice, come tra i pastori e i fedeli. L’indirizzo
d’omaggio al Pontefice è stato rivolto
dall’arcivescovo di Brasilia, dom João Braz de Aviz. Il
servizio di Alessandro Gisotti:
Nell’attuale
società secolarizzata, c’è bisogno di una rinnovata
testimonianza evangelica da parte dei cristiani: è
l’appello di Benedetto XVI, che nel giorno in cui si
festeggia la proclamazione della Repubblica del Brasile,
ha sottolineato “l’importanza dell’azione
evangelizzatrice della Chiesa nella costruzione
dell’identità brasiliana”:
“Há quase 60 anos, a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil…”
Rivolgendosi ai vescovi brasiliani della Regione
Centro-Ovest, il Papa ha messo l’accento sul ruolo della
Conferenza episcopale del Paese, organismo che si appresta
a celebrare i suoi 60 anni di fondazione e che, ha detto,
rappresenta un punto di riferimento per la società
brasiliana. Benedetto XVI ha affermato che la prima
testimonianza che ci si aspetta da chi annuncia la Parola
di Dio è l’amore reciproco. Le Conferenze episcopali,
ha rilevato, nascono proprio come concreta applicazione
della comunione d’amore dei vescovi con il Pontefice. E
come “strumento di comunione effettiva ed affettiva tra
i suoi membri”. D’altro canto, ha aggiunto, la
Conferenza episcopale consente ai presuli di esercitare
armoniosamente alcune funzioni pastorali per il bene dei
fedeli e dei cittadini di un determinato territorio:
“A Conferência Episcopal promove a união de
esforços…”
“La Conferenza episcopale – ha soggiunto –
promuove una unione di sforzi e di intenzioni dei
vescovi”, diventando uno strumento che può condividere
i suo impegni. Tuttavia, non deve diventare una realtà
parallela o sostitutiva del ministero di ogni vescovo. Ed
ha ribadito che i vescovi devono innanzitutto trovare i
mezzi più efficaci per far arrivare al popolo il
Magistero universale. L’esercizio della funzione
dottrinale, ha quindi constatato, è necessaria ad
“affrontare le nuove questioni emergenti”. Spetta ai
presuli, ha poi aggiunto, orientare “la coscienza degli
uomini per incontrare una retta soluzione ai nuovi
problemi suscitati dalle trasformazioni sociali e
culturali”. Il Papa ha così indicato quali siano oggi i
temi particolarmente sensibili:
“A promoção e a tutela da fé e da moral …”
“La promozione e la tutela
della fede e della morale”, la cura delle vocazioni,
l’impegno ecumenico, la difesa della vita umana, la
santità delle famiglia, il diritto dei genitori ad
educare i propri figli e, ancora, la libertà religiosa,
la pace e la giustizia sociale. Il Papa ha così ribadito
che le Conferenze episcopali esistono come “organo
propulsore della sollecitudine pastorale dei vescovi, la
cui preoccupazione primaria deve essere la salvezza delle
anime”. Il Santo Padre ha concluso il suo discorso
assicurando la propria affettuosa vicinanza al popolo del
Brasile, affidato all’intercessione materna della
Vergine Maria di Aparecida.
DISCORSO
DEL SANTO PADRE BENEDETTO XVI
Queridos
Irmãos Bispos,
Estou
feliz por vos dar as boas-vindas na ocasião da vossa
visita ad Limina. Viestes à cidade onde Pedro, por
último, cumpriu a sua missão de evangelização e deu
testemunho de Cristo até à efusão do seu próprio
sangue; viestes ver e saudar o Sucessor de Pedro. Deste
modo fortaleceis os fundamentos apostólicos da Igreja no
vosso país e expressais visivelmente a vossa comunhão
com todos os demais membros do Colégio episcopal e com o
próprio Pontífice romano (cf. Pastores gregis,
8). Deste teor são as amáveis palavras que o Senhor
Arcebispo de Brasília, Dom João Braz, me dirigiu em
vosso nome e que agradeço, enquanto vos asseguro do meu
cordial afeto e das minhas orações por vós e por todas
as pessoas confiadas aos vossos cuidados pastorais.
Com a
visita do Regional Centro Oeste, se encerra este ciclo de
encontros dos Prelados brasileiros com o Papa que se
iniciou há mais de um ano. Por uma feliz coincidência,
na data do discurso que dirigi ao primeiro grupo de Bispos
era a vossa Festa Nacional da Independência, enquanto o
último discurso que hoje pronuncio tem lugar justamente
no dia em que se recorda a proclamação da República no
Brasil. Aproveito o fato para sublinhar uma vez mais a
importância da ação evangelizadora da Igreja na construção
da identidade brasileira. Como bem sabeis, a atual
sociedade secularizada exige dos cristãos um renovado
testemunho de vida para que o anúncio do Evangelho seja
acolhido como aquilo que é: a Boa Notícia da ação salvífica
de Deus que vem ao encontro do homem.
Neste
sentido, há quase 60 anos, a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil é um ponto de referência da sociedade
brasileira, propondo-se sempre mais e acima de tudo como
um lugar onde se vive a caridade. Com efeito, o primeiro
testemunho que se espera dos anunciadores da Palavra de
Deus é o da caridade recíproca: «Nisto conhecerão
todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos
outros» (Jo 13, 32). A vossa, como aliás as
demais Conferências Episcopais, nasceu como concreta
aplicação do afeto colegial dos Bispos em comunhão hierárquica
com o Sucessor de Pedro, para ser um instrumento de comunhão
afetiva e efetiva entre todos os membros, e de eficaz
colaboração com o Pastor de cada Igreja particular na tríplice
função de ensinar, santificar e governar as ovelhas do
próprio rebanho.
Ora, a
Conferência Episcopal apresenta-se como uma das formas,
encontradas sob a guia do Espírito Santo, que consente
exercitar conjunta e harmoniosamente algumas funções
pastorais para o bem dos fiéis e de todos os cidadãos
dum determinado território (cf. Código de Direito Canônico,
cân. 447). De fato, uma cooperação sempre mais estreita
e concorde com os seus irmãos no ministério ajuda os
Bispos a cumprir melhor o seu mandato (cf. Christus
Dominus, 37), sem abdicar da responsabilidade primeira
de apascentar como pastor próprio, ordinário e imediato
sua Igreja particular (cf. Motu próprio Apostolos suos,
10), fazendo-a ouvir a voz de Jesus Cristo, que "é o
mesmo, ontem, hoje e sempre" (Hb 13, 8).
Assim
sendo, a Conferência Episcopal promove a união de esforços
e de intenções dos Bispos, tornando-se um instrumento
para que possam compartilhar as suas fatigas; deve, porém,
evitar de colocar-se como uma realidade paralela ou
substitutiva do ministério de cada um dos Bispos, ou seja,
não mudando a sua relação com a respectiva Igreja
particular e com o Colégio Episcopal, nem constituindo um
intermediário entre o Bispo e a Sé de Pedro.
Entretanto,
no fiel exercício da função doutrinal que vos
corresponde, quando vos reunis nas vossas Assembléias,
queridos Bispos, deveis sobretudo estudar os meios mais
eficazes para fazer chegar oportunamente o magistério
universal ao povo que vos foi confiado. Essa função
doutrinal será desempenhada nos termos indicados por meu
venerado predecessor, o Papa João Paulo II, no Motu Próprio
"Apostolos suos", também ao abordar as
novas questões emergentes, para depois poder orientar a
consciência dos homens para encontrarem a reta solução
para os novos problemas suscitados pelas transformações
sociais e culturais.
De modo
especial, alguns temas recomendam hoje uma ação conjunta
dos Bispos: a promoção e a tutela da fé e da moral, a
tradução dos livros litúrgicos, a promoção e formação
das vocações de especial consagração, elaboração de
subsídios para a catequese, o compromisso ecumênico, as
relações com as autoridades civis, a defesa da vida
humana, desde a concepção até a morte natural, a
santidade da família e do matrimônio entre homem e
mulher, o direito dos pais a educar seus filhos, a
liberdade religiosa, os outros direitos humanos, a paz e a
justiça social.
Ao mesmo
tempo, é necessário lembrar que os assessores e as
estruturas da Conferência Episcopal existem para o serviço
aos Bispos, não para substituí-los. Trata-se, em
definitiva, de buscar que a Conferência Episcopal, com
seus organismos, funcione sempre mais como órgão
propulsor da solicitude pastoral dos Bispos, cuja preocupação
primária deve ser a salvação das almas, que é, aliás,
a missão fundamental da Igreja.
Queridos
irmãos, no final do nosso encontro, gostaria de vos
convidar a olhar para o futuro com os olhos de Cristo,
depondo n’Ele a vossa esperança, pois «a esperança não
decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos
corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm
5,5). Reiterando o meu profundo afeto pelo povo brasileiro,
confio o Brasil à intercessão materna da Virgem Maria,
Nossa Senhora Aparecida, modelo de todos os discípulos:
Ela vos conduza pelos caminhos de seu Filho. E, lembrando
cada um dos Prelados brasileiros que, durante estes últimos
catorze meses, passaram por aqui em visita ad Limina
e também aqueles que não puderam vir por problemas de saúde,
de todo o coração concedo-vos, assim como aos sacerdotes,
aos religiosos, às religiosas, aos catequistas e a todos
os vossos diocesanos, a Bênção Apostólica.
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